Foi o Sal dos Morangos com Açúcar 8 e agora é Sal(vador) em Sol de Inverno. Os Sal são o seu karma na TV?.[risos]. É verdade, é um bocado estranho. Mas sal faz parte da água do mar, que é de onde eu venho, por isso acho que tem tudo uma ligação mística. Mas foi por acaso. Quando entrei nos Morangos com Açúcar com a personagem Sal pensei que o nome que tinha dado origem ao diminutivo era Salvador. Só mais tarde soube que era Salomão. E agora sou mesmo o Salvador em Sol de Inverno..É o seu primeiro papel de maior protagonismo depois de Morangos com Açúcar. Já acusa o peso desta responsabilidade?.Sinto o peso da responsabilidade, sim, e até acabar de gravar não vou parar de o sentir porque foi uma aposta muito grande da SIC e tenho de retribuir e tentar dar o meu melhor..Na rua já lhe chamam Salvador?.Um bocadinho. O que tem piada é que me visto de forma muito diferente do Salvador, por isso as pessoas talvez não associem e eu também não faço por isso. Deixo-me passar despercebido. O meu irmão mais novo é parecido comigo e já foi abordado no café. Uma senhora dizia que ele era o Salvador da novela da SIC, ele negava e ela teimava que sim. Mas até agora não vivi nenhum episódio fora do normal..Havia muitas expectativas em relação a esta novela. Sol de Inverno está a fazer jus à sua antecessora, Dancin" Days?.Não sei como é em questão de números, mas vi um bocado de Dancin" Days para perceber como era o ritmo da novela e acho que a nossa está tão boa ou melhor do que a anterior. São dois produtos muito bons. Como faço parte deste, puxo a brasa à minha sardinha, mas sei que a novela está a correr muito bem..Se não integrasse o elenco de Sol de Inverno seria espectador da novela?.É assim [pausa]...Não faço ideia [risos]. Não faço ideia, porque à hora a que a novela vai para o ar eu estaria sempre, em princípio, em casa. Mas o que faço é ver sempre as estreias das novelas para perceber que atores entram. Neste caso, como o produto é muito bom era natural que ficasse curioso e quisesse assistir..É espectador de novelas?.Não. Sou espectador de estreias de novelas para ver quem entra e o que está a ser feito, mas depois acabo por não seguir a história. Para ser sincero, não vejo televisão neste momento. Porque não subscrevo nenhuma operadora nem tenho TDT. Só uso mesmo televisão para ligar o computador e ver filmes..Já trabalhou para as duas estações privadas e para as produtoras Plural e SP Televisão. Sentiu muitas diferenças?.Morangos com Açúcar era um projeto, se calhar, mais infantil e com atores menos experientes. Aqui [Sol de Inverno] sinto que o trabalho é mais levado a sério, os atores têm mais liberdade e são considerados atores. Nos Morangos eram mais miúdos a trabalhar como atores. Por isso, nesse aspeto, aqui procura-se fazer um trabalho mais profundo..Havia um certo preconceito associado aos jovens atores de Morangos com Açúcar?.Se calhar a produção da Plural não dava tanto crédito aos rapazes e às raparigas como atores. Aqui, as pessoas tratam-nos como atores. Se tivermos uma proposta a fazer ouvem-nos porque nos dão crédito como atores. Para ser sincero, eu próprio comecei um bocadinho de pé atrás nos Morangos, tinha aquele preconceito e fiquei surpreendido. A equipa era muito boa, com atores muito empenhados e foi bom ter noção de como era o ritmo de televisão..O que pensam os seus amigos do Salvador?.Há amigos meus em quem confio muito e que me dizem que a novela está muito bem filmada, que a fotografia é muito boa. O meu pai sabe mais da história do que eu e faz-me perguntas todo entusiasmado. Os meus amigos gozam também porque o Salvador veste-se de uma maneira muito betinha, gozam com o penteado [risos] e com a faceta romântica de Salvador, mas eu também sou assim. Aliás, todos somos quando estamos apaixonados..A sua personagem e a da Victoria Guerra [Matilde] vivem uma intensa história de amor. São o Romeu e Julieta desta novela?.A nossa história acaba por ser um amor proibido, por isso é muito Romeu e Julieta. Sinto que as pessoas estão a torcer pelas personagens, já vi na internet uns comentários: "Ai que eles ficam tão bem juntos." Acho que há um grupo de fãs naquelas páginas do Facebook..Contracena com jovens atrizes como Victoria Guerra e Joana Ribeiro, duas grandes revelações, no ano passado, para o público. O Pedro é a próxima revelação?.Não faço a mínima ideia [risos], mas era bom que fosse, era sinal de que tinha sido bem recebido. Mas estou contente com o trabalho que tenho feito aqui, tenho recebido um feedback positivo. Por isso, mesmo que não tenha esse reconhecimento da parte do público....É-lhe indiferente?.Não, porque é bom ser reconhecido, mas como as pessoas com quem trabalho aqui viram o processo todo, acho que me preocupa mais essa parte do que a do público, se bem que nós trabalhamos para o público..Trabalha também com grandes rostos da ficção nacional, Rita Blanco e Maria João Luís. Sente-se um novato?.Completamente, sinto-me mesmo um novato. Sinto que o trabalho de ator é uma constante aprendizagem e não tem fim. Mas sinto que estou mesmo no início desse processo, por isso tenho tudo pela frente e ao trabalhar com pessoas como a Rita Blanco e a Maria João Luís fico motivado. Comecei a explorar o trabalho de ator por curiosidade e agora que já tive alguma experiência começo a ter mais certezas de que é isto que quero fazer. Ao trabalhar com elas dá-me vontade de querer ser tão bom como elas..Quando ouve o "corta" quanto tempo demora a deixar de ser Salvador e a voltar ao Pedro?.É um tempinho até desligar da cena e voltar à vida real. Mas gostava de ser o Salvador durante o tempo todo mesmo quando não estou a gravar. Porque gostava de me esquecer do Pedro enquanto estou a ser o Salvador. Acho que era mais honesto..O ambiente na novela é verdadeiramente bom, como todos os atores garantem?.Como nunca tinha estado numa produção como esta, porque nos Morangos com Açúcar era tudo mais jovem, não tinha noção de que isto funcionasse tão bem. Achava que era mais disputas, mais mesquinhice, mas até agora damo-nos como uma família. Fiquei completamente surpreendido porque há aqui muita gente que trabalha há muitos anos, por isso era normal que tivessem alguns conflitos, mas não. Se me dissessem que o ambiente era como é não acreditava..Esta é uma geração sem contrato de exclusividade. Ainda está em início de carreira, mas preocupa-o o futuro?.Sei que é uma profissão de muitos altos e baixos e quando se está num momento alto tem de se aproveitar ao máximo e não olhar para essa fase como garantida. Porque a carreira de ator e mesmo a própria vida são uma série de fases, por isso é também preciso saber geri-las, as boas e as más. Não ter contrato de exclusividade tem prós e contras. É benéfico se a pessoa quiser ter uma vida mais estável, mas não é bom se quiser fazer outros projetos. Depende tudo do objetivo de cada pessoa.."Se já tive uma certeza, que era ser surfista, começo agora a ter outra: ser ator".Onde estava quando soube que ia interpretar o Salvador?.Estava em Londres quando recebi a sinopse da personagem e achei uma piada gigante porque havia muitas semelhanças entre mim e o Salvador. O também estar em Londres, a relação com a namorada - também tive uma namorada com quem vivi uma relação um bocadinho proibida e a minha mãe não aceitou muito bem. E depois foi vir a Portugal fazer o casting para ver se eu e a Victoria [Guerra] conseguíamos entender-nos [risos]. E foi fácil, a Victoria é uma pessoa muito acessível, uma grande atriz e o difícil era não conseguir entender-me com ela..O que o levou até Londres?.Estava há muito tempo sem trabalhar cá e estava farto de estar aqui sem fazer nada, a ver as mesmas pessoas de sempre, a fazer as mesmas coisas e achei que era boa altura para ir para fora. E acabei por ir para Londres. Tinha uma agência lá, só que depois não cheguei a ir a castings porque não tinha dinheiro nenhum, nenhum e então tive de trabalhar. Comecei a trabalhar num bar e quando consegui juntar algum dinheirinho fui chamado para a novela..O que fazia no bar?.Servia copos, estava a maior parte do tempo no bar. Mas depois também servíamos comida e tinha de servir às mesas, que é uma coisa... Levar tabuleiros e pratos com comida é o maior desafio para mim..Foi mais desafiante servir às mesas ou ser ator?.[Risos]. Acho que é mais desafiante e difícil ser ator porque nesta profissão pode interpretar-se uma personagem que sirva à mesa..Na novela não teve de aprender a servir à mesa mas a andar a cavalo. Sabe que em Portugal há um cavaleiro com o seu nome?.A sério? Só sabia que existia um tenista. Mas é estranho nunca ter montado até começar a novela, porque moro em Cascais, ao pé de um picadeiro e a curiosidade nunca tinha despertado. Para a novela tive aqui umas aulas numa escola de equitação e gostei logo. Acho que tive uma coisa boa neste processo: não tenho medo dos cavalos, tenho respeito..E a Joana Ribeiro deu-lhe algumas dicas?.A Joana deu, a Victoria também já sabia montar. E agora vou ser convencido! Consegui apanhar quase o nível delas, por isso já me sinto tão cavaleiro quanto elas..Como surgiu esta incursão no mundo da representação?.Fui campeão nacional de surf dos sub-18 e até acabar o 12º ano queria ser surfista profissional. No ensino secundário comecei a pensar se queria ou não ir para a faculdade ou continuar a apostar no surf e comecei a ficar meio perdido. Foi um ano em que fiquei parado para tentar decidir o que queria. Na altura, um amigo meu que é ator, o Frederico Barata, estava a fazer umas peças de teatro e convidou-me para assistir. Quis experimentar e pensei: "Vou inscrever-me numa escola e ver o que se passa." E assim foi. Se já tive uma certeza, que era ser surfista, começo a ter outra agora: ser ator..Entre umas participações em Rosa Fogo e Dancin" Days, protagonizou ainda o filme Deste lado da Ressurreição, de Joaquim Sapinho, em que interpretava um surfista. Foi bom recordar a sua passagem pelo surf?.Neste filme não houve coincidências, o Joaquim adaptou a história dessa personagem, o Rafael, à minha. Comecei a fazer surf aos 12 anos, depois de encontrar uma prancha num caixote do lixo. Levei-a para casa e anunciei aos meus pais que ia começar a fazer surf. Frequentei a escola de surf do Guincho, do pai de um dos meus grandes amigos e começámos todos a competir. As coisas surgiram naturalmente, na altura..Há uns anos, numa entrevista à Surf Magazine, disse que não se considerava ator mas sim surfista. E agora?.Considero-me uma pessoa que gosta de representar e considero-me cada vez mais ator. No dia em que disser que me considero mesmo ator, aí, sim, é que devo estar muito satisfeito. Trabalhar como ator não faz logo de mim um ator apenas por isso. Mas espero daqui a pouco tempo poder dizer de boca cheia que sou ator. Tudo o que este trabalho tiver para oferecer eu quero explorar, independentemente da área, seja cinema, teatro, ou televisão..Quando percebeu que tinha talento para a representação?.Ainda não percebi [risos]. Espero ter jeito para expor sentimentos e viver as coisas de forma verdadeira porque se calhar prefiro não saber representar e conseguir viver as emoções da cena enquanto a estou a gravar. Prefiro não saber representar mas saber sentir..Portanto, não é um sonho que acalenta desde criança..Nunca fui o engraçadinho da turma, sempre fui mais tímido e fechado. Por isso acho que, tendo em conta essa timidez, pouca gente desconfiava que fosse ser ator..Como recorda a sua infância?.A minha infância ainda dura até hoje [risos], mas cresci em Cascais. Quando era muito novo, com 2 anos, o meu pai foi trabalhar para os Estados Unidos por isso o resto da família foi atrás e estivemos a viver fora durante três anos. Depois, voltámos para Cascais. Era um miúdo que passava muito tempo na rua, subia às árvores... nunca fui muito de videojogos nem de passar muito tempo em casa, de todo. E tinha companhia, tenho dois irmãos e uma irmã do lado do meu pai..Por ter esse lado mais tímido, o mediatismo desta profissão e a falta de privacidade preocupam-no?.É uma parte que não me agrada muito, mas tudo o que é bom traz coisas também menos boas, é só saber lidar com isso. Estou conformado. Há muita coisa com que gostava de não me conformar, mas faz parte. Como ter de me comportar de maneira diferente porque há pessoas que não nos conhecem mas sabem quem somos e vão julgar-nos.